Resumo
Paciente, feminino, 51 anos, iniciou quadro de dispneia progressiva aos esforços, dispneia paroxística noturna, ortopneia, edema de membros inferiores e dor torácica atípica. De história patológica pregressa, a paciente já havia tratado câncer de mama em 2012, com quimioterapia e radioterapia e era diabética não insulinorequerente há 01 ano. Ex-tabagista e ex-etilista, sedentária, sem mais informações relevantes. Na história familiar predomina coronariopatia precoce.
Em propedêutica diagnóstica, o ecocardiograma transtorácico evidenciou aumento biatrial, insuficiência tricúspide moderada, hipertensão pulmonar, disfunção diastólica de ventrículo esquerdo e ectasia significativa do seio coronariano venoso (SC), com fluxo turbilhonado no seu interior. A angiocoronariografia revelou artéria coronária direita (ACD) dominante, tortuosa, difusamente dilatada de forma importante, com grande fístula de seu leito distal para o seio coronário. A angiotomografia de coronárias (figura) ratificou o achado, descrevendo a ACD com calibre de 13 x 13 mm no segmento proximal, 10 x 11 mm no segmento médio, trajeto bastante tortuoso, com dilatação e tortuosidade máximas no segmento distal (14 x 15 mm), quando essa se comunica com o SC, através de grande fístula arteriovenosa (19 x 13 mm). O SC, posicionado na região póstero-inferior do AE, possui dilatação aneurismática, medindo 119 x 63 x 63 mm, e gera discreto sinal compressivo em ambos os átrios. Foi programada abordagem percutânea, sendo essa de extrema dificuldade técnica, sem obtenção de oclusão completa da fístula. Novo estudo hemodinâmico será realizado para reavaliação do shunt e possível nova abordagem.
As fístulas coronarianas constituem conduto anormal entre uma artéria coronária e algum outro vaso ou cavidade, são extremamente raras, predominantemente congênitas, e, em algumas poucas exceções, adquiridas. Na maior parte são assintomáticas, com manifestações geralmente na vida adulta, podendo culminar no quadro de insuficiência cardíaca e importante repercussão hemodinâmica. Nos casos assintomáticos, sem repercussão, deve-se manter acompanhamento clínico, com exames seriados, a fim de detectar, de forma precoce, possíveis complicações. Mediante sintomatologia e alterações estruturais, deve-se avaliar a necessidade de abordagem cirúrgica, estando disponível a via aberta ou percutânea. Estudos mostraram resultados semelhantes em ambas. O prognóstico pós procedimento depende da gravidade do shunt e das complicações concomitantes. Naqueles com fechamento bem-sucedido, o prognóstico é excelente.